quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Crônica Sobre o Diálogo

Amor, amizade e paz.

Essas três palavras vagaram pela minha mente por muitos dias, como se estivessem pedindo para serem unidas. Busquei então uma conexão entre elas, algo que fosse realmente mutuo.

Nada me veio à cabeça, então pensei nessas palavras em sentidos opostos.

Ódio, inimizade e guerra.

Pouca coisa ficou clara para mim, então me esforcei e encontrei o ponto de desequilíbrio que transforma o amor em ódio, a amizade em inimizade e a paz em guerra.

Tudo tem sua explicação no diálogo. Ou melhor, na falta dele.

Um grande amor começa na troca carinhosa e gentil de palavras e experiências, mas também termina quando o marido cansado do trabalho chega em casa e não conversa com sua esposa. Termina quando essa esposa magoada com a situação, sofre calada. Termine pela falta de coragem de falar de ambos, até que tudo se torna insustentável.

A inimizade surge de uma grande amizade, até que um belo dia surge uma discordância, e quando os dois lados não querem ceder, o impasse determina o fim de tudo.

Uma guerra começa quando duas partes são incapazes de conversar, e só terminha quando surge alguém com coragem de dizer “cansei”. Afinal as guerras passam e os problemas continuam. Então elas voltam e continuarão voltando enquanto não surgir alguém para dizer “cansei” antes de o sangue ser derramado.

Não é nenhuma novidade falar sobre diálogo. O tempo passa, e parece que é inversamente proporcional a capacidade da humanidade dialogar. O tempo passa, o orgulho cresce, as pessoas se afastam e vivem cada vez mais em sua própria ilha. Tudo pela falta de conversa. Pela falta de coragem de falar. Porquê ninguém nunca diz “cansei”.

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